O ministro André Mendonça encaminhou à Presidência do Supremo Tribunal Federal a Petição 16.662, separada de um conjunto maior de documentos originalmente anexados à Petição 15.556. A medida atendeu à determinação do presidente do STF, Edson Fachin, que ordenou o envio prévio à Presidência de procedimentos que possam envolver integrantes da Corte.
Segundo o despacho de Mendonça, a petição nasceu do desentranhamento de informações produzidas pela Polícia Federal que apontariam elementos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes e ao banqueiro Daniel Vorcaro, alvo do inquérito do Banco Master. O ministro citou a necessidade de aplicar o rito previsto no regimento interno para casos que alcancem membros do Tribunal.
A remessa ocorre em momento de tensão no plenário, com decisões divergentes sobre como tratar material da PF que atinge ministros. Mendonça já havia liberado o processo para julgamento pelo Plenário em 6 de setembro; com a nova tramitação, caberá agora à Presidência do STF decidir o encaminhamento procedural e eventual prosseguimento das apurações.
A centralização determinada por Fachin e operacionalizada por Mendonça tem efeitos práticos: concentra na Presidência a definição sobre rito, hipóteses de investigação e eventual sigilo, o que pode retardar ou alterar o curso das apurações. Politicamente, a mudança aumenta a visibilidade do caso e expõe fissuras internas sobre a condução de procedimentos sensíveis.
A pauta vai ao plenário extraordinário convocado para terça-feira (15), quando os ministros devem debater regras e limites para procedimentos que envolvam integrantes da Corte. O episódio reforça a condição de retrato momentâneo das tensões institucionais, com riscos para a reputação do tribunal e para a própria narrativa de imparcialidade na gestão de investigações.