O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça reuniu-se na quinta-feira (6/8) com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, em um movimento explícito para conter o desgaste que se instalou entre o gabinete do ministro e a Polícia Federal. Fontes consultadas descrevem o encontro como cordial e orientado para reduzir atritos nas relações institucionais.
Segundo relatos obtidos, Mendonça reforçou a necessidade de preservar a independência funcional da corporação e reconheceu o papel técnico da PF na condução de investigações. O gabinete do ministro vinha cobrando explicações sobre prazos e diligências em inquéritos sob sua relatoria; a Polícia Federal, por sua vez, rejeita irregularidades e sustenta que os procedimentos obedecem a critérios técnicos.
Na mesma quinta-feira, os 27 superintendentes regionais da PF divulgaram uma nota conjunta em defesa do diretor-geral Andrei Rodrigues. O documento reafirma o compromisso da corporação com a Constituição, a legalidade e com a produção de provas, e alerta para os riscos de um debate público que, na avaliação dos signatários, possa minar a confiança social nas instituições.
Do ponto de vista político e institucional, a reunião e a mobilização interna da PF aparecem como medidas de contenção. O encontro busca frear desgaste público entre magistratura e polícia, enquanto a nota dos superintendentes reforça o apoio à cúpula da corporação. Resta acompanhar se o gesto será suficiente para dissipar tensões ou se o episódio terá efeitos duradouros sobre a percepção de independência e coordenação entre Poderes.