A Polícia Federal encontrou indícios de que uma frase aparentemente técnica — “a altura do vão é 2,45m” — foi usada como código para discutir a compra de um apartamento de luxo em Salvador que está no centro das investigações sobre o Banco Master e o senador Jaques Wagner (PT-BA). No diálogo apurado, as mensagens circulavam entre Daniel Lopes Monteiro, apontado pela PF como responsável por questões jurídicas e financeiras do grupo investigado, e Guilherme Sodré Martins, conhecido como “Tio Guiga” e descrito nos autos como integrante do círculo de confiança do parlamentar.

Para os investigadores, a referência à medida não fazia sentido em termos técnicos, o que alimentou a hipótese de que o número equivaleria ao preço do imóvel — R$ 2,45 milhões. A apuração reúne outros elementos que, em conjunto, levaram a PF a concluir que o apartamento passou a integrar tratativas delicadas: Jaques Wagner teria encaminhado dados sobre a unidade 1702 e o corretor a contatos que acionaram intermediários para viabilizar a aquisição.

A operação, segundo a representação ao Supremo, teria sido formalizada pela empresa Epítome S.A., com representação de Luiz Antônio Lombardi, e financiada por estruturas de fundos vinculadas ao grupo sob investigação. Augusto Ferreira Lima e o operador conhecido como “Valério Fundos” aparecem como nexos entre o imóvel e a estrutura de compra, enquanto irmãos como Daniel e David Lopes Monteiro teriam auxiliado na operacionalização. A PF avalia que a montagem é compatível com tentativa de ocultar o beneficiário final da transação.

Os autos registram ainda que as movimentações não cessaram após a primeira fase da Operação Compliance Zero: contatos por voz, reuniões presenciais e trocas de minutas teriam sido preferidos para reduzir rastros escritos. A menção ao fato, agora publicada nos autos do STF, tem potencial político imediato — amplifica desgaste e complica a narrativa de transparência em torno do líder petista no Senado — e abre caminho para novas diligências cuja pauta central é justamente a possível ocultação de destinatário do bem.