Registros obtidos pela Polícia Federal e revelados pelo Estadão, com confirmação do Correio, mostram que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro manteve tentativas de contato com o então dono do Banco Master nos quatro dias anteriores à primeira prisão do banqueiro. As mensagens, extraídas do celular de Daniel Vorcaro apreendido em 17 de novembro de 2025, cobrem contatos entre 13 e 16 de novembro, um dia antes da detenção no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
O material detalha a sequência: em 13 de novembro Flávio enviou mensagem pela manhã e Vorcaro disse que retornaria em meia hora; no dia 14 houve chamada de voz não atendida; em 15 houve nova tentativa enquanto Vorcaro justificava estar em trânsito e em voo; e em 16, já na véspera da prisão, após chamada perdida Vorcaro informou que estava na igreja. Flávio respondeu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”.
As conversas fazem parte de cerca de três meses de trocas apreendidas pela PF (entre 20 de agosto e 16 de novembro de 2025) e incluem ainda referências a repasses para a produção audiovisual 'Dark Horse'. Os fatos, como apresentados pelos investigadores, não equivalem por si só a prova de ilícito, mas colocam em evidência a proximidade entre o candidato e o banqueiro às vésperas de uma operação policial.
Do ponto de vista político, o episódio acende alerta e amplia desgaste para Flávio Bolsonaro e seu entorno: as mensagens levantam dúvidas sobre o grau de envolvimento em relações financeiras e em apoio a projetos ligados ao ex-presidente, e podem complicar a narrativa de campanha. A situação exige esclarecimentos públicos e aumenta a pressão sobre o PL e aliados, que terão de explicar laços e eventuais repasses enquanto o caso segue sob investigação.