O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou em redes sociais que as negociações para um Acordo de Parceria Econômica entre o Mercosul e o Japão terão início em junho. O anúncio foi feito após encontro com a primeira‑ministra japonesa, Sanae Takaichi, em Évian‑les‑Bains, na França, e o lançamento formal está previsto para a cúpula de chefes de Estado do Mercosul em Assunção, no fim do mês.

Segundo o governo, a agenda tratou do fortalecimento das relações bilaterais, incluindo o Marco de Parceria Estratégica firmado em dezembro. O início das conversas com o Japão abre oportunidade para ampliar comércio e investimentos, mas também impõe uma negociação complexa, dada a diversidade de interesses dos membros do bloco e setores sensíveis da economia.

Politicamente, a iniciativa rende ao Planalto um ganho diplomático em pleno calendário internacional, mas pode gerar pressão interna: exportadores e indústrias irão demandar salvaguardas e regras claras de transição. Para o governo, o desafio será transformar o anúncio em resultados concretos sem expor a economia a perdas de competitividade nem a custos fiscais inesperados.

No plano institucional, o processo deverá ser acompanhado de perto por mercados e parlamentares — tanto pela potencial atração de investimentos japoneses quanto pela necessidade de aprovação de medidas correlatas. A pauta exige transparência sobre prazos e impacto setorial, além de uma estratégia que concilie abertura comercial com proteção a interesses domésticos.