O advogado‑geral da União, Jorge Messias, afirmou em sabatina nesta quarta‑feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado que a Advocacia‑Geral da União não teve participação nas investigações relativas ao Banco Master. Questionado por senadores, Messias disse que o tema não integra as atribuições da AGU e que a apuração é competência do Banco Central, da Polícia Federal e, agora, do Supremo Tribunal Federal.

A declaração ocorre no contexto da avaliação do nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Apesar de ter sido escolhido no ano passado, Messias teve a indicação formalizada apenas em abril e intensificou agendas junto a parlamentares em busca de apoio. Ao afastar a AGU do caso, o indicado reduz, no curto prazo, a exposição direta do órgão e do Planalto à controvérsia, mas não elimina o potencial custo político ligado ao episódio.

O processo de indicação prossegue caso a CCJ aprove o relatório: a comissão exige presença mínima de 14 dos 27 membros e maioria simples entre os presentes. Em seguida, a votação vai ao plenário do Senado, onde são necessários quórum e votos favoráveis de 41 senadores; em ambas as etapas a votação é secreta. Esses trâmites transformam a sabatina em teste prático da capacidade de Messias de convencer senadores sobre sua independência institucional.

Do ponto de vista político, a separação pública das atribuições atribuídas pelo indicado pode ter dois efeitos: limitar danos imediatos à AGU e ao governo, mas também deixar foco sobre a eficácia e a coordenação entre órgãos responsáveis pela investigação. Para o Senado, a resposta de Messias será parte central da avaliação sobre sua aptidão para uma cadeira na Suprema Corte — e o desfecho da votação dirá quanto peso o episódio terá no ambiente político do Planalto.