A sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça do Senado girou em torno de sua atuação como advogado‑geral da União após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Questionado por senadores da oposição, o indicado ao Supremo defendeu que agiu estritamente dentro dos limites constitucionais e repetiu que suas medidas não tiveram caráter pessoal ou político, mas foram tomadas por dever de ofício para proteger bens públicos federais.
Durante o debate, nomes críticos ao governo, como Magno Malta, tentaram explorar a intervenção da AGU no episódio e cobrar responsabilidades. Messias procurou demarcar competências: ressaltou que a Advocacia‑Geral não é órgão de investigação ou acusação e afirmou que não apresentou denúncias nem pediu prisões preventivas, colocando sua atuação no campo administrativo e patrimonial, e não no processo penal.
O confronto na CCJ expôs que a conduta adotada em janeiro se consolidou como um dos eixos da disputa sobre sua indicação ao STF. Em meio à tentativa da oposição de derrubar o veto presidencial sobre dosimetria, o episódio acende alerta sobre o custo político que a nomeação pode trazer ao governo e sobre a fragilidade da narrativa oficial de mera atuação técnica da AGU.
Messias também afirmou que medidas excepcionais foram necessárias diante de um momento excepcional e reafirmou o princípio do devido processo para responsabilizações individuais. A sabatina, mais do que uma defesa técnica, virou termômetro político: de um lado, a tentativa de diluir acusações de perseguição; do outro, o risco de que o episódio complique sua aprovação no plenário e reforce dúvidas sobre limites institucionais em crises futuras.