Em sabatina no Senado, o indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) Jorge Messias enfatizou que a conciliação e o diálogo são o melhor caminho para pacificar conflitos fundiários no país. Messias, hoje advogado‑geral da União, disse que o Judiciário deve buscar soluções que preservem a Constituição, sem, porém, impedir a justa indenização a proprietários que detêm títulos legítimos.
A declaração veio em resposta a críticas do senador Jayme Campos sobre a suposta insegurança jurídica provocada pela controvérsia do marco temporal — tese que já foi considerada inconstitucional pelo STF. Messias citou sua atuação como AGU em acordos que reconheceram pagamentos a proprietários em disputa e na compra de terras para a retomada de direitos de indígenas Avá‑Guarani, como exemplos de solução negociada.
No debate, o indicado também defendeu o projeto Ferrogrão como vital para o país e afirmou que buscou conciliar interesses para destravar obras, relacionando desenvolvimento econômico e preservação ambiental. A ênfase na negociação sinaliza um perfil pragmático: agrada setores que pedem segurança para investimentos em infraestrutura, mas levanta dúvidas sobre se acordos concretos serão suficientes para pacificar demandas históricas dos povos indígenas.
Messias foi questionado sobre aborto e afirmou ser pessoalmente contrário, classificando sua posição como "pessoal, filosófica e cristã", e garantiu que não haverá ativismo judicial sobre o tema, reiterando a competência do Congresso. Para assumir a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, o indicado precisa de 41 votos no Senado — a sabatina deixou claro um viés de conciliação que pode reduzir a litigiosidade, mas também aumenta o escrutínio sobre como essa prática será aplicada a direitos constitucionais complexos.