O Senado rejeitou a indicação do advogado‑geral da União, Jorge Messias, para vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. A decisão marca o primeiro veto a um nomeado para o Supremo Tribunal Federal em 132 anos — a última recusa registrada remonta a 1894 — e representa um revés político incomum para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Messias, procurador da Fazenda Nacional por carreira e chefe da AGU no atual governo, havia sido aprovado na CCJ, mas não obteve apoio suficiente no plenário. Figura técnica e próxima ao Planalto, ganhou visibilidade em 2016 por conta de interlocuções nos bastidores que lhe renderam o apelido 'Bessias'. A rejeição interrompe um ritmo de confirmações que incluiu, até agora, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Cristiano Zanin assumiu cadeira deixada por Ricardo Lewandowski após atuar como advogado de defesa de Lula na fase da Lava Jato; Flávio Dino veio da cadeira aberta por Rosa Weber, com trajetória política e experiência no Executivo. As nomeações anteriores seguiram sem traços de crise, mas o fracasso de Messias expõe limites da estratégia de indicações do governo e sinaliza maior autonomia do Senado nas decisões sobre o Supremo.

Politicamente, o episódio amplia desgaste e exige recalibragem: o Planalto terá de negociar mais intensamente com parlamentares e recalcular perfil e timing de futuras escolhas para a Corte. Institucionalmente, a derrota também reforça a percepção de que o caminho para homologar indicações será mais disputado, com custo político e necessidade de articulação para evitar novos impasses.