Cinco meses após ter sido anunciado como indicado ao Supremo Tribunal Federal, o advogado-geral da União Jorge Messias chegou ao Senado para a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Acompanhado do ministro da Defesa, José Múcio, Messias enfrenta uma agenda apertada: a expectativa do governo é aprovar o nome na CCJ e levá-lo ao plenário ainda hoje.

Para avançar, o candidato precisa de ao menos 14 votos favoráveis na CCJ e, posteriormente, 41 votos no plenário. Desde novembro, Messias intensificou a articulação política, visitando gabinetes e buscando apoio entre bancadas. Integrantes do Palácio do Planalto reconhecem resistências iniciais, mas avaliam que há margem para obter os votos necessários — desde que a pressão sobre aliados seja contida.

O processo foi marcado por atritos institucionais. A indicação não foi comunicada de imediato ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, gerando desconforto e ruídos na relação entre Executivo e Legislativo. Parte dos senadores ainda preferia um nome do próprio Congresso, como Rodrigo Pacheco, e a formalização só ocorreu em 1º de abril, numa tentativa explícita do governo de recompor apoios e reduzir obstáculos.

O relator Weverton Rocha sinalizou que a sabatina será rigorosa, mas demonstrou confiança no avanço do nome. Politicamente, o episódio expõe custo e desgaste: mesmo que Messias seja aprovado e ocupe a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, a sequência do processo deixa um rastro de tensão que o Palácio do Planalto terá de administrar para não ampliar perdas de capital político junto ao Senado.