A pouco mais de uma semana da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o ex‑advogado‑geral da União Jorge Messias intensificou a ofensiva no Senado. Depois da leitura do parecer favorável, o indicado tem percorrido gabinetes e ampliado o diálogo, com atenção especial a senadores da oposição, onde encontra maior resistência. O relator Weverton Rocha admite que o placar não está consolidado, e o voto secreto na CCJ e no plenário mantém o quadro aberto.
Nos últimos dias, Messias se reuniu com nomes relevantes, como Carlos Portinho (PL) e Eduardo Girão (Novo). O PL, contudo, já declarou fechamento de questão contra a indicação. Aliados do indicado dizem que a tática tem sido reduzir resistências, reforçar credenciais jurídicas e focar em respostas técnicas na sabatina, evitando debates ideológicos que possam gerar desgaste. Senadores conservadores mostram simpatia em privado, mas ponderam a pressão de suas bases em ano eleitoral.
No Planalto, há otimismo moderado. Projeções internas apontam entre 48 e 52 votos no plenário — acima dos 41 necessários — e, na CCJ, Messias soma, até o momento, 13 votos favoráveis e oito contrários, precisando de apenas mais um apoio para seguir ao plenário. O episódio do anúncio do nome, sem comunicação prévia a Davi Alcolumbre, segue presente nos bastidores, embora aliados avaliem que a tensão tenha arrefecido e o ex‑presidente do Senado mantenha posição neutra.
A oposição continua mobilizada para barrar a indicação, com Rogério Marinho apontado como articulador de uma frente contrária. Mas a combinação entre voto secreto e histórico de reviravoltas em sabatinas reforça a imprevisibilidade até a oitiva de 28 de abril. Politicamente, um resultado apertado ou uma derrota agravaria desgaste para o governo, acendendo alerta e exigindo recalibragem da estratégia; aprovação confortável, por outro lado, daria fôlego político ao Planalto.