O advogado‑geral da União, Jorge Messias, decidiu entrar de forma explícita no conflito em torno do Banco Master. Em publicações nas redes, Messias associou o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), às negociações entre o parlamentar e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse, citando valores de cerca de R$ 134 milhões revelados no caso.

A movimentação pública do chefe da AGU veio acompanhada da divulgação do resultado da atuação institucional: o Conselho Nacional de Justiça determinou a anulação de R$ 4,7 bilhões em precatórios relacionados ao setor sucroalcooleiro e a devolução dos recursos à Conta Única do Tesouro. A AGU havia pedido a medida, que a pasta passou a apresentar como exemplo da proteção do erário pelo governo federal.

A reação dos aliados do PL não demorou. O senador Rogério Marinho acusou Messias de abandonar a neutralidade institucional e agir politicamente contra a oposição. Messias rebateu nas redes, elevando o tom e cobrando publicamente explicações sobre a origem e o destino dos valores negociados entre o senador e Vorcaro — uma cobrança que transforma o episódio em problema de campanha.

Mais do que um confronto retórico, o embate tem implicações práticas: politiza a atuação da AGU, pressiona o candidato do PL a explicar negociações bilionárias e empurra a disputa para o terreno das narrativas sobre uso indevido de recursos e proximidade entre autoridades e operadores financeiros. Para a oposição, a decisão do CNJ é ouro político; para o PL, a controvérsia complica a narrativa e acende um sinal de alerta no calendário eleitoral.