Em sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o indicado ao Supremo Jorge Messias defendeu que o STF tem o dever de se aprimorar e de exercer autocontenção ao julgar questões que dividem a sociedade. Atual advogado‑geral da União e nome indicado pelo presidente Lula para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, Messias enfrenta 27 senadores inscritos para perguntas e precisa dos votos de 41 dos 81 parlamentares para ser confirmado.
Ao longo da apresentação, o indicado enfatizou a necessidade de transparência, prestação de contas e escrutínio público como instrumentos para reduzir a percepção de que cortes supremas resistem à autocrítica. Sua fala insere‑se no debate atual sobre um código de ética para magistrados e no ambiente de críticas que acusam o STF de exercer função legislativa em temas sensíveis.
Messias sustentou que cortes constitucionais também se afirmam por virtudes passivas e que devem evitar atuar como protagonistas em políticas públicas quando isso inviabiliza acordos morais razoáveis na sociedade. A construção de uma posição 'residual' do Judiciário em determinadas matérias soa como resposta direta aos parlamentares que reclamam de ativismo judicial e busca colocar o equilíbrio como palavra‑chave.
O indicado declarou‑se evangélico, mas sublinhou que o Estado é laico e que convicções pessoais não podem sobrepor‑se à Constituição — posição pensada para acalmar tanto setores religiosos quanto laicos do Senado. Politicamente, a defesa de autocontenção e ética é uma tentativa de mitigar tensões com o Congresso; resta saber se isso será suficiente para obter a maioria necessária e neutralizar resistências na votação.