O advogado‑geral da União, Jorge Messias, encontrou‑se nesta quinta‑feira com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, na sede da Corte. O encontro ocorreu a portas fechadas e durante o intervalo da sessão que analisa trechos do Marco Civil da Internet, circunstância já relevante por aproximar a conversa de temas sensíveis sobre acesso a dados e jurisdição.
A reunião se dá no contexto de um impasse entre a Polícia Federal e o ministro André Mendonça, relator do inquérito que apura supostas fraudes no INSS envolvendo Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) e a empresária Roberta Luchsinger. Investigadores pressionam o AGU para que ingresse com medidas judiciais contra decisões de Mendonça que, segundo a corporação, ampliaram o papel do relator — como a exigência de comunicação sobre mudanças na equipe e o envio ao Supremo do material bruto de quebras de sigilos.
Fontes ligadas ao caso dizem que Messias estaria inclinado a buscar uma solução extrajudicial em vez de promover ações imediatas no Supremo. Essa opção pode reduzir a exposição pública de um conflito institucional, mas também suscita riscos políticos: evitar o litígio público não neutraliza a percepção de atrito entre a PF e o Judiciário e pode ser interpretado como insuficiente por parte dos investigadores, ampliando desgaste interno e eventual contestação pública.
O encontro com Fachin sinaliza que o AGU procura um caminho que concilie controle institucional e contenção de crise. Resta saber se a estratégia extrajudicial será capaz de preservar a autonomia das apurações sem gerar impressão de acomodação diante de decisões que mudam práticas investigativas. A transparência sobre os próximos passos será determinante para mitigar custo político e institucional.