O advogado‑geral da União, Jorge Messias, publicou nas redes sociais uma nota em solidariedade à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) após a circulação de informações falsas que vincularam o episódio a Flávio Bolsonaro. Na manifestação, Messias reconheceu o papel pastoral da entidade junto à comunidade católica e destacou sua contribuição para a consolidação da democracia, ao mesmo tempo em que se colocou ao lado da instituição diante dos chamados “ataques e agressões” referentes ao caso.

Messias reafirmou que o Estado laico pressupõe convivência respeitosa entre crenças e que o poder público deve garantir a liberdade religiosa sem legislar sobre fé ou impor crenças. O chefe da AGU citou textos bíblicos para defender que a adesão religiosa deve ser espontânea e disse, na qualidade de cristão e evangélico, respeitar pessoas de outras confissões. O episódio teve origem na repercussão de um projeto de 2007 que pretendia alterar regras sobre a padroeira do país, proposta essa que foi rejeitada e arquivada em 2008; não há registro de Flávio Bolsonaro como autor da iniciativa.

A controvérsia levou ações no campo jurídico: o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de publicações que atribuíam à família Bolsonaro a intenção de retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira. Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou o restabelecimento de uma postagem do humorista Antonio Tabet que havia sido removida, decisão que levou em conta aspectos de liberdade de expressão e a ausência de menção nominal ao candidato. As decisões distintas dos tribunais mostram a complexidade de moderar conteúdo eleitoral sem cercear debates públicos.

A manifestação pública do chefe da AGU acende alerta sobre os riscos políticos do uso da fé como instrumento eleitoral e expõe contradições que podem contaminar o debate público. Para além da defesa institucional da CNBB, o episódio sublinha o custo reputacional da desinformação e a necessidade de respostas coordenadas entre órgãos do Executivo e do Judiciário para preservar regras do jogo eleitoral. Em termos práticos, a repercussão amplia pressão sobre atores políticos e reforça a atenção ao controle de narrativas nas vésperas de novos embates eleitorais.