A Meta confirmou ao Correio having uma falha na contagem de visualizações de vídeos no Instagram, numa constatação que ocorre em pleno segundo turno. A empresa comunicou que identificou um problema técnico e que equipes internas atuam para corrigir a anomalia, sem, porém, detalhar quais publicações foram afetadas ou a dimensão do impacto.
Relatos que circulam nas redes apontam para um padrão: a contagem de visualizações deixaria de crescer justamente quando postagens começavam a ganhar tração. A reportagem também verificou inconsistência em ao menos um vídeo divulgado pelo presidente Lula, em que o número de curtidas superava o de visualizações — um indício técnico que acende dúvidas sobre medição e distribuição de alcance. O Instagram não exige tempo mínimo de exibição para computar uma visualização, o que torna o problema mais complexo de diagnosticar.
A cena política reagiu em duas frentes. O secretário nacional de Comunicação do PT afirmou que a combinação entre manobras eleitorais e a falta de transparência da plataforma compromete a igualdade de condições na disputa, e pediu explicações. Na outra ponta, a campanha de Flávio Bolsonaro protocolou no TSE uma ação que afirma ter identificado uma rede organizada de perfis e collabs — com números específicos: 1.525 perfis centrais, outros 5.882 conectados, 2.856 conteúdos publicados em três dias e alegadas 11,6 milhões de visualizações em 62 horas — acusações que agora exigem verificação judicial e técnica.
O episódio expõe uma vulnerabilidade institucional: além de reparar o erro, a Meta precisa esclarecer escopo e possíveis efeitos sobre distribuição de conteúdo em período eleitoral. A omissão de dados técnicos e a simultaneidade das denúncias tornam previsível uma ampliação da pressão sobre a empresa e sobre o Tribunal Superior Eleitoral, que terá de avaliar provas, ritmo de investigação e eventual necessidade de auditoria independente das métricas digitais — fatores que influenciam diretamente a percepção de lisura do pleito.