A Meta informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça-feira (20/10), que adotou medidas para assegurar tratamento equivalente às candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro nas suas plataformas. Em manifestação ao tribunal, a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp anexou uma declaração técnica e negou qualquer negligência ou resistência ao cumprimento das determinações judiciais que regem a disputa pelo alcance e circulação de conteúdo no segundo turno.

A resposta chega após determinação do ministro Marco Aurélio Bellizze, que exigiu, em 19/10, comprovação, em 24 horas, das providências adotadas para cumprir as regras da Justiça Eleitoral. Bellizze já havia proibido, em 15/10, medidas que reduzam distribuição, excluam recomendações ou limitem buscas por conteúdo político-eleitoral de qualquer das campanhas, além de estabelecer critérios idênticos para recomendações, gestão de anúncios e o funcionamento da Meta AI.

A iniciativa do TSE foi motivada por reclamações da campanha de Lula, que alegou prejuízos na distribuição de publicações e apontou diferenças nos recursos de inteligência artificial da empresa — a ação afirma que ferramentas permitiriam gerar imagens ligadas a Flávio, mas encontrariam limitações para conteúdos sobre Lula. A defesa do senador também registrou suposta perda de alcance e pediu medidas contra o impulsionamento de publicações negativas. Paralelamente, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, proibiu Nikolas Ferreira e Pablo Marçal de republicarem conteúdos já vetados e determinou suspensão de impulsionamento pago até o fim do segundo turno, com multa de R$ 50 mil por publicação em caso de descumprimento.

Do ponto de vista político e institucional, a manifestação da Meta tenta conter a narrativa de tratamento desigual, mas não encerra a controvérsia: cabe ao TSE julgar se a documentação técnica é suficiente para comprovar isonomia operacional. Enquanto isso, a disputa expõe o grau de intervenção da Justiça Eleitoral nas grandes plataformas digitais e mantém as empresas sob pressão para mostrar transparência nos algoritmos e nos critérios de distribuição — um teste de credibilidade que pode ter consequências práticas para a circulação de conteúdo na reta final da eleição.