A Meta, proprietária do Facebook e Instagram, negou ao Tribunal Superior Eleitoral que tenha favorecido a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), contrariando denúncia apresentada pela chapa de Luiz Inácio Lula da Silva. Em ofício ao ministro Marco Aurélio Belizze, a empresa afirmou que não há comprovação de qualquer direcionamento e que as alegações não se sustentam diante de dados objetivos apresentados pela própria companhia.

A acusação do PT atribuiu à Meta uma redução do alcance de postagens de apoiadores do ex-presidente, enquanto perfis de direita manteriam taxas elevadas. A empresa respondeu que essa percepção é, em grande parte, uma impressão subjetiva de usuários e que também já foi alvo de acusações de manipulação por adversários de diferentes espectros políticos. Em contrapartida, a Meta reconheceu um incidente técnico que impediu a contabilização de visualizações no dia 7 de outubro, das 1h50 às 19h49, e disse que o problema ocorreu globalmente, não se restringindo a conteúdo político.

Segundo o ofício, a falha decorreu de reforços nos mecanismos automáticos de identificação de potenciais fraudes, implementados em cumprimento de um acordo com a Advocacia-Geral da União. A empresa também explicou que a suspensão temporária da conta de anúncios da campanha de Lula foi um erro detectado e revertido com rapidez, e que medidas proativas contra publicações fraudulentas podem causar efeitos colaterais inerentes a qualquer moderação em larga escala.

A Meta ainda fez questão de preservar dados de usuários sem vínculo com as campanhas, argumentando que fornecer informação individualizada sobre terceiros extrapolaria o objeto da controvérsia e poderia violar direitos de privacidade. O ministro do TSE havia solicitado esclarecimentos diante das denúncias; agora cabe à Corte avaliar as evidências técnicas e os argumentos de ambas as partes.

Do ponto de vista político, a troca de acusações reforça a sensibilidade em torno do papel das plataformas na campanha e levanta dúvidas sobre transparência e auditoria de algoritmos. Para o PT, a queixa sinaliza desgaste e busca responsabilizar intermediários digitais; para a Meta, a resposta tenta blindar a empresa de uma narrativa de favorecimento que, se não comprovada, complica a estratégia de busca por medidas judiciais. Resta ao TSE decidir se as provas justificam medidas adicionais, um desfecho que pode ter impacto direto na confiança pública sobre a integridade do processo eleitoral.