Michelle Bolsonaro ainda não tomou decisão sobre participar da convenção nacional do PL marcada para este sábado (25/7) em São Paulo, quando será oficializada a candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro. A indefinição ocorre em um momento de visibilidade partidária e expectativa pela unidade do PL em torno da campanha.

A dúvida sobre a presença da ex-primeira-dama surge semanas depois de ela tornar pública uma crise com Flávio. Em junho, Michelle divulgou dois vídeos em que afirmou ter sido “maltratada” e “humilhada” pelo senador e disse não manter contato com ele desde o fim de 2025. Desde então, deixou a liderança do PL Mulher, criou o movimento “Imparáveis” e sinalizou ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, que não pretende integrar a campanha nem concorrer ao Senado em 2026.

A ausência seria mais do que simbólica. Michelle já havia esvaziado um ato organizado por Flávio em Brasília com mulheres da direita — reunião que embasou o programa Brasil por Elas — e sua não participação na convenção pode reduzir o alcance das iniciativas voltadas ao eleitorado feminino e reforçar a percepção de racha interno. Politicamente, a indecisão sinaliza desgaste e complica a narrativa de coesão que o PL tenta projetar ao abrir a corrida presidencial.

Interlocutores da ex-primeira-dama indicam também um fator logístico: Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar em Brasília e Michelle assumiu responsabilidades diárias sobre seus cuidados — gestão de medicamentos, refeições e acompanhamento de saúde — o que pode limitar viagens e presença em atos. A decisão final ainda pode ocorrer em cima da hora, mas qualquer ausência no sábado terá efeito político local e nacional sobre a imagem da campanha e a unidade do partido.