Michelle Bolsonaro voltou a elevar o tom contra Ciro Gomes (PSDB) em reação a declarações do ex-ministro sobre apoios presidenciais. Em mensagem nas redes na segunda-feira (20/7), a ex-primeira-dama afirmou que já havia alertado para a possibilidade de Ciro não se alinhar ao bolsonarismo e criticou diretamente a condução do PL no Ceará, acusando setores locais de terem vendido o apoio eleitoral ao tucano.

O episódio foi deflagrado após entrevista de Ciro ao portal Cariri News, em que ele admitiu que poderia apoiar nomes como Ronaldo Caiado (PSD) ou o empresário Renan Santos (Missão) na disputa presidencial, sem citar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre suas referências para a direita. A menção a outros pré-candidatos foi bem recebida por Renan Santos, segundo manifestações públicas subsequentes, e reforçou a impressão de que Ciro procura atrair votos conservadores sem compromisso explícito com o bolsonarismo.

A reação de Michelle agrava uma divergência que persiste no grupo ligado ao ex-presidente: ela é frontalmente contra o apoio do PL cearense a Ciro e defende que o eleitorado bolsonarista local se una em torno do senador Eduardo Girão (Novo-CE). Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem atuado para formalizar o respaldo do partido ao projeto de Ciro no estado. A disputa já motivou relatos públicos de atrito familiar e político, com Michelle dizendo ter se sentido desrespeitada em discussões internas, e transforma-se em ponto central de desgaste para a legenda.

Politicamente, o confronto sinaliza risco prático de divisão do eleitorado conservador no Ceará e impõe um dilema ao PL: aceitar uma aliança que atrai votos mas dilui identidade partidária, ou preservar fidelidade ideológica e correr o risco de fragmentação local. No plano nacional, a abertura de Ciro a nomes fora do bolsonarismo mostra que a busca por amplitude pode custar lealdades regionais — e coloca o núcleo bolsonarista diante da necessidade de decidir se prioriza composições táticas ou coerência de discurso às vésperas das articulações para 2026.