A partir de sexta-feira (28/8), Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis (PL) passam a realizar lives semanais em formato de 'collab' no Instagram. A iniciativa, apurada pelo Correio, é parte de uma ofensiva digital e presencial do PL para consolidar uma chapa que se apresenta como a preferência do núcleo bolsonarista no Distrito Federal.

A estratégia é clara: fortalecer a transferência de votos e a imagem de unidade entre as duas candidatas — em postagens, chegam a ser apresentadas como “a chapa do coração do Presidente Bolsonaro” com chamadas como “Quem vota Michelle Bolsonaro... vota em Bia Kicis”. Michelle surge no material-base como favorita a uma das vagas; já Bia tenta ampliar presença em um cenário descrito como embolado.

Do ponto de vista eleitoral, a dobradinha pode trazer ganhos e riscos. Ao reforçar uma narrativa comum, o PL busca maximizar o recall entre eleitores bolsonaristas e criar sinergia de campanha. Por outro lado, a proximidade também pode gerar competição interna pelo eleitorado conservador no DF, com risco de canibalização entre candidatas ou dificuldade para ampliar apelo além da base já cativa.

Politicamente, a iniciativa acende alerta para adversários e redesenha o mapa local: a coordenação de agendas e lives indica tentativa de disciplinar a base e evitar dispersão de votos. Para Bia Kicis, o desafio é converter maior exposição em intenção de voto efetiva; para Michelle, manter a vantagem depende agora de transformar visibilidade em mobilização. Em termos práticos, a dobradinha pressiona rivais e marca a disputa por duas vagas ao Senado como tema central da pré-campanha no DF.