Michelle Bolsonaro não compareceu à convenção do PL no Parque da Cidade neste domingo (2). Internada desde a noite de sábado no Hospital DF Star com um quadro de dor de cabeça persistente, ela teve a candidatura ao Senado pelo Distrito Federal oficializada mesmo ausente. Segundo a assessoria, o boletim médico apontava previsão de alta para o próprio domingo; no ato, o irmão Diego a substituiu no palanque e leu uma mensagem em seu nome.
Na carta, a ex-primeira-dama se dirigiu a apoiadores e a Flávio Bolsonaro e afirmou que fará parte da chapa majoritária que também reúne Bia Kicis e Celina. Ela apelou à ideia de justiça e liberdade como pilares da campanha e trouxe a narrativa de origem em Ceilândia como elemento de identificação com eleitores locais. A mensagem reforça a centralidade simbólica do sobrenome Bolsonaro na estratégia do PL no DF.
Do ponto de vista político, a confirmação de Michelle apesar da hospitalização revela cálculo do partido: manter a chapa com a ex-primeira-dama tem valor simbólico e mobilizador para a base, mas também expõe limitações práticas. A substituição por um familiar no ato público evidenciou o caráter personalista da operação eleitoral e a dependência da máquina de comunicação do clã para preservar a narrativa.
Há riscos concretos: a narrativa de fragilidade por motivos de saúde pode complicar agendas de campanha, reduzir exposição direta da candidata e abrir espaço para críticas sobre viabilidade e preparo. Aliados ganham impulso de curto prazo; adversários, elementos para questionar a consistência de uma candidatura que precisa conciliar simbolismo e rotina de campanha em um calendário apertado rumo a 2026.
O episódio deixa claro o dilema do PL no DF: optar pelo capital simbólico de Michelle traz benefícios de mobilização, mas aumenta a necessidade de logística, planos de contingência e resposta rápida a imprevistos médicos. Nos próximos dias, atualizações sobre o estado de saúde e detalhes da agenda da campanha serão determinantes para medir se a escolha fortalece ou complica o projeto majoritário local.