Michelle Bolsonaro confirmou que não irá à convenção nacional do PL neste sábado, em São Paulo, ocasião em que o partido pretende oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. A justificativa oficial, segundo interlocutores, é logística: Michelle assumiu a rotina de cuidados do ex‑presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, e uma viagem para outro estado se tornou mais difícil.

A ausência, porém, ganha relevo político porque ocorre semanas depois de Michelle tornar pública uma crise com Flávio. Em junho, a ex‑primeira‑dama divulgou vídeos nos quais diz ter sido “maltratada” e “humilhada” pelo senador, informou que não mantém contato com ele desde o fim de 2025 e deixou a liderança do PL Mulher, além de lançar o movimento Imparáveis.

Mais que um problema logístico, o episódio sinaliza desgaste interno: Michelle já teria dito a Valdemar Costa Neto que não quer participar da campanha presidencial de Flávio e chega a demonstrar dúvidas sobre disputar o Senado em 2026. A postura público‑privada da ex‑primeira‑dama enfraquece a narrativa de unidade da família Bolsonaro e reduz o apelo feminino que o bolsonarismo tentou estruturar.

Para a campanha de Flávio, a ausência representa um custo político concreto. Além de minar a capacidade de mobilização junto ao eleitorado feminino, ela amplia a percepção de fissura familiar em um momento em que o candidato precisa construir legitimidade e coesão. O episódio deixa um desafio claro: converter um problema de convivência e logística em estratégia política, sob risco de ampliar desgastes já visíveis.