A ministra Damares Alves afirmou ao Correio que Michelle Bolsonaro permanecerá filiada ao Partido Liberal e não deve migrar para o Republicanos. A declaração busca encerrar as especulações em torno de uma possível troca de legenda num momento de desgaste público entre a ex-primeira-dama e integrantes do núcleo político da família Bolsonaro.

Os rumores ganharam força depois da saída de Michelle do comando do PL Mulher e de episódios de atrito público com o senador Flávio Bolsonaro. Apesar do desconforto interno, a manutenção da filiação evita um entrave jurídico imediato: pela legislação eleitoral, quem mudar de partido após o prazo limite — encerrado em 3 de abril — fica impedido de disputar as eleições deste ano.

Na prática, a decisão de permanecer no PL preserva tecnicamente a possibilidade de uma candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, mas não resolve a questão política. Fontes ligadas à ex-primeira-dama dizem que a definição ficará para o período das convenções, previsto até 5 de agosto, enquanto dirigentes do PL intensificam conversas para tentar convencê-la a entrar na disputa.

Do ponto de vista partidário, o episódio expõe dois riscos para o PL: o custo de administrar um conflito familiar que transborda para a esfera pública e a necessidade de montar uma estratégia eleitoral no DF sem certezas sobre seu protagonismo. A permanência de Michelle evita um problema legal imediato, mas amplia a incerteza política que acompanhará as negociações até as convenções.