O pedido público de desculpas de Flávio Bolsonaro não freou o aprofundamento da crise doméstica: Michelle Bolsonaro deixou de seguir os enteados Carlos e Eduardo nas principais redes sociais, mas manteve Flávio entre as contas que acompanha. O gesto nas plataformas relega ao público um conflito que já vinha sendo alimentado por trocas de indiretas e desentendimentos internos.
Eduardo segue Michelle, mas passou a repercutir publicações críticas à ex-primeira-dama — entre elas uma postagem do jornalista Claudio Dantas que sugere que Michelle exagerou ao expor o episódio. Com Carlos, o desgaste é de mais longa data: Michelle já disse ter perdoado antigas desavenças, mas descartou reaproximação, indicando que o racha tem raízes e limites claros.
O conflito ganhou contornos públicos após a divulgação de um vídeo em que Michelle afirma ter sido alvo de ataques vindos “do exterior” — leitura que remete a Eduardo, que vive nos EUA — e relata ter sido ‘desrespeitada’ e ‘humilhada’ por Flávio em uma ligação sobre uma eventual aliança dela com o pré-candidato Ciro Gomes no Ceará. Flávio então divulgou um pedido de desculpas defendendo a união familiar e afirmando que Michelle merece respeito.
Além do impacto pessoal, o racha familiar tem potencial político: expõe fissuras na narrativa de unidade do entorno presidencial e pode gerar desgaste diante de aliados e eleitores sensíveis à imagem de coesão. A disputa não é apenas de afetos — as repercussões, ainda que difíceis de mensurar agora, sinalizam custo político e desafio de gestão da imagem do grupo em ano pré-eleitoral.