Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro voltaram a aparecer juntos nesta terça-feira em Brasília, durante as primeiras gravações do PL para a temporada de campanhas. Foi o primeiro encontro presencial entre os dois desde o episódio de junho que expôs divergências familiares. Após os registros, a ex-primeira-dama disse que conversaram e se abraçaram, adotando tom conciliador.

O desentendimento veio a público em 24 de junho, quando Michelle afirmou ter sido desrespeitada por Flávio em uma ligação sobre a estratégia do partido no Ceará. Na ocasião, a controvérsia nasceu de posições distintas sobre apoios locais, tema que inflamou uma disputa interna entre alas do PL e expôs fragilidades na coordenação partidária.

A reaproximação cumpre função política clara: reduzir o custo imediato do desgaste familiar quando a campanha começa a montar sua logística e conteúdo — a propaganda gratuita na rádio e na televisão tem estreia marcada para 28 de agosto. Ainda assim, Michelle sinalizou que sua atuação presencial será limitada, privilegiando redes sociais e a mobilização feminina, o que diminui o efeito público da reconciliação.

Paralelamente, a chapa enfrenta outro foco de instabilidade: rumores sobre possível substituição do vice, Alfredo Gaspar, e as próprias defesas públicas do senador diante das acusações que envolveram o deputado, classificadas por ele como "farsa". Mesmo com o gesto de unidade, as limitações na participação de Michelle e a crise em torno do vice mantêm aberto o risco de novo desgaste político que exigirá gestão apertada da campanha.