Michelle Bolsonaro não irá à convenção nacional do PL marcada para este sábado (25/7), que oficializa a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Segundo interlocutores, a ex-primeira-dama gravou na noite de sexta (24/7) um vídeo que será exibido no evento, mas a viagem foi vetada por razões logísticas e pelo papel que ela vem assumindo na rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar em Brasília — organização de medicamentos, dietas específicas e cuidados gerais que tornam deslocamentos mais difíceis.

A ausência ocorre depois de uma reaproximação pública entre mãe e filho consumada em vídeos na quinta-feira (23/7): Flávio divulgou um pedido de desculpas e Michelle respondeu aceitando o gesto, ressaltando que o propósito comum deveria se sobrepor a desentendimentos. O episódio tem caráter simbólico, mas a reconciliação virtual não se traduziu, até aqui, em presença física nem no engajamento direto de Michelle na campanha que o senador tenta montar para 2026.

Politicamente, a escolha de não comparecer deixa um vácuo logístico e simbólico para a campanha de Flávio. Além de Michelle, aliadas do Distrito Federal como Damares Alves e a governadora Celina Leão também não estarão no ato — enquanto a deputada Bia Kicis, apontada entre as favoritas à vice, confirmou presença. Michelle já deixou a liderança do PL Mulher e lançou o movimento 'Imparáveis'; interlocutores dizem que ela sinalizou ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, reservas sobre participação ativa na disputa presidencial e até dúvidas sobre uma eventual candidatura ao Senado em 2026.

O recado é claro: o vídeo de conciliação pode atenuar a impressão de racha, mas a ausência física e a saída da liderança feminina indicam limites reais de mobilização. Para Flávio, a situação complica a narrativa oficial de unidade e mostra que a operação política continuará a conviver com restrições práticas e rachas internos. Em curto prazo, resta ao PL transformar o gesto em efeito prático nas bases, sem contar apenas com símbolos.