Depois de três horas em uma confeitaria no Jardim Botânico, Michelle Bolsonaro deixou o local sem confirmar se será candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Em conversa com a imprensa, informou que a decisão será comunicada apenas na convenção estadual do PL, marcada para domingo (2/8), e reafirmou que, no momento, a prioridade é o cuidado com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reforçou que caberá ao ex-presidente declarar a posição final sobre a postulação de Michelle. A postura transmite que a definição permanece centralizada em Bolsonaro e acende alerta para a estratégia da legenda: a indefinição pode atrasar articulações locais e ampliar incertezas na preparação do partido para 2026. Michelle disse que apoiará Bia Kicis e outras candidaturas federais e estaduais do PL no DF.
Na entrevista, a ex-primeira-dama descreveu como reduzido o espaço para decisões políticas compartilhadas com o marido, alegando que tenta manter a tranquilidade do lar para ajudá‑lo. Ela afirmou ainda que o episódio do soluço — já em trégua, segundo ela — é consequência dessa atenção. Michelle criticou a suspensão das visitas determinada pela Justiça, qualificando-a como injusta e afirmando que a família busca conforto na oração.
Há consequências práticas: a postergação do anúncio mantém o PL em compasso de espera e transfere pressão sobre Jair Bolsonaro para uma definição rápida, caso o partido queira avançar na formação de chapas e negociações regionais. A decisão de não reassumir a presidência do PL Mulher, com a transferência das atribuições a Ana Munhoz, mostra tentativa de organizar a estrutura partidária, mas também sinaliza mudança na interlocução que pode influenciar a mobilização em torno de candidaturas no DF.