O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou nesta quinta-feira que Michelle Bolsonaro resiste a se engajar na campanha de Flávio Bolsonaro e comunicou sua saída da presidência do PL Mulher. Segundo Valdemar, ela lhe disse que pretende deixar a liderança do segmento e que pode não disputar uma vaga ao Senado em 2026. A declaração oficial do dirigente tenta ao mesmo tempo acalmar o ambiente e reconhecer um recuo público da ex-primeira-dama.

A ruptura exposta entre Michelle e Flávio ganhou contornos públicos há pouco mais de uma semana, quando Michelle publicou vídeos afirmando ter sido 'maltratada' e 'humilhada' pelo senador, e revelou que não mantém contato com ele desde o fim de 2025. O desentendimento, segundo relatos da própria ex-primeira-dama, nasceu em torno da montagem do palanque do partido no Ceará e da tentativa de aproximação com o ex-governador do Estado Ciro Gomes — um aceno que teria desagradado Michelle e aprofundado a fissura interna.

Do ponto de vista político, a saída de Michelle da presidência do PL Mulher e sua resistência em participar da campanha representam um custo simbólico e prático para o projeto eleitoral de Flávio. Além de perder o segmento feminino que ela liderava, o PL vê exposta uma disputa interna que pode enfraquecer articulações regionais e comprometer a narrativa de coesão do partido. Valdemar tentou minimizar, dizendo que o impasse estaria superado, mas a divulgação pública do atrito diminui o espaço para solução discreta e pressiona a direção nacional.

A eventual desistência de Michelle ao Senado também tem implicações: reduz a capacidade de o PL transformar capital político pessoal em votos, fragiliza a composição de chapas e aumenta a necessidade de contornos estratégicos para 2026. O episódio deixa o partido diante de um dilema prático — avançar com a campanha centralizada em Flávio mesmo com desgaste íntimo, ou recalibrar alianças e nomes para evitar perdas eleitorais e desgaste adicional nas bancadas e executivas estaduais.

No curto prazo, o cenário exige resposta rápida da cúpula do PL para mitigar vazamentos e evitar que a crise pessoal se transforme em disputa aberta por espaços e recursos na campanha. A saída de Michelle do comando do PL Mulher é uma perda que Valdemar reconhece, mas o reconhecimento público não apaga o impacto político: a situação amplia desgaste, complica costuras regionais e indica que a sucessão de 2026 terá capítulos de turbulência enquanto a sigla tenta reorganizar seu projeto eleitoral.