Em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro reuniu nesta terça-feira um grupo de candidatos do PL para gravações que serão usadas na propaganda eleitoral. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro participou do encontro — sua chegada estava prevista para as 14h — e foi colocada pelo senador como interlocutora privilegiada para levar ao eventual governo demandas do Distrito Federal. Foi o primeiro contato presencial entre os dois desde o episódio de atrito público que os envolveu.

Flávio buscou transformar a presença de Michelle em ativo político: além de destacar sua atuação junto à comunidade surda enquanto primeira-dama, afirmou que ela poderá representar interesses locais junto ao Palácio do Planalto. A estratégia prevê gravações e participações pontuais, e não uma presença constante em agendas de campanha — uma limitação que, segundo a própria campanha, tem relação com a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

No mesmo encontro, o senador esboçou o desenho de uma plataforma mais dura em segurança e justiça, ao defender uma bancada ampliada de centro-direita no Senado a partir de 2027 e anunciar que buscará apoio para mudanças constitucionais, citando a redução da maioridade penal para crimes graves, regimes mais fechados e trabalho prisional para ressarcir vítimas. As propostas explicitam a tentativa de nacionalizar temáticas de segurança como pilar da campanha.

O episódio tem dois efeitos políticos claros: por um lado, busca ampliar o alcance eleitoral do PL ao vincular figuras com apelo social a uma campanha presidencial; por outro, expõe riscos de desgaste e de dificuldade na costura de coligações mais amplas diante de propostas duras na pauta penal. A campanha começa oficialmente em 16 de agosto, com a propaganda na TV prevista para 28, e o movimento de hoje antecipa a ênfase da sigla em segurança e em articulação no Senado.