A três dias da eleição presidencial no Brasil, o presidente da Argentina, Javier Milei, declarou publicamente seu apoio ao candidato Flávio Bolsonaro e voltou a criticar o atual presidente e postulante à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao jornal francês Le Point, Milei disse ter “muita esperança” na vitória de Flávio e qualificou Lula como “ladrão”, repetindo acusações já feitas em outras ocasiões.

A fala de Milei incluiu alegações de que Lula teria recorrido a “golpes sujos” e a decisões de um “juiz cúmplice” para se beneficiar, afirmações apresentadas pelo argentino como interpretações pessoais e sem comprovação neste contexto jornalístico. O episódio ocorre numa semana em que as relações entre Brasil e Argentina passaram por forte arrefecimento diplomático, com ambos os governos anunciando a retirada de seus embaixadores.

No Brasil, o Ministério das Relações Exteriores passou a ordem de retorno do então embaixador Júlio Bitelli após publicações de Milei consideradas ofensivas a Lula; em resposta, Buenos Aires oficializou a saída do representante argentino, Daniel Raimondi. A disputa pública entre chefes de Estado expõe um desgaste institucional que agora reverbera na reta final da campanha eleitoral.

A interferência de um presidente estrangeiro no debate interno brasileiro acrescenta elemento de instabilidade à campanha e pode ser explorada tanto por adversários quanto por aliados para narrativas de victimização ou de intervenção externa. O episódio também foi acompanhado de perto por atores internacionais: o ex-presidente dos EUA Donald Trump destacou a importância da eleição brasileira em comentários recentes. Resta ver como candidatos e diplomacia manejarão o atrito nas próximas horas.