O presidente argentino Javier Milei voltou a atacar o Brasil neste domingo (26/7), ao afirmar, sem apresentar provas, que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva financiaria uma suposta “campanha anti-Argentina”. As declarações, reproduzidas por agências internacionais como a AFP, vieram um dia após Milei ter chamado Lula de “presidiário” durante a convenção nacional do PL em São Paulo.
Em reação às acusações, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou para consultas o embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, em movimento que sinaliza a gravidade do episódio. A escalada ocorre em um contexto já sensível: Milei também afirmou que México e o Partido Democrata dos EUA teriam financiado a campanha, e criticou a decisão da Justiça brasileira que negou seu pedido para visitar Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe.
A relação entre os dois presidentes é marcada por embates públicos desde a campanha argentina em 2023, quando Milei chamou Lula de “comunista” e “corrupto”. Lula não compareceu à posse de Milei em Buenos Aires, optando por ser representado pelo então chanceler Mauro Vieira — gesto interpretado como sinal de distanciamento entre os governos.
Ao longo de 2024 e 2025, houve encontros protocolares em fóruns como o Mercosul, incluindo a transferência da presidência rotativa do bloco a Lula em julho de 2025. Mesmo nesses encontros, entretanto, as trocas de farpas persistiram — cenário que alcançou novo ponto de ruptura após os ataques de Milei na convenção do PL, quando também ofendeu o ministro Alexandre de Moraes.
Do ponto de vista político e institucional, a sequência de episódios acende alerta: a convocação do embaixador indica que a crise já extrapolou o plano retórico e pode prejudicar cooperações práticas, agendas multilaterais e o ambiente diplomático no Mercosul. Trata‑se de um teste à capacidade de Brasília de manter uma resposta firme e calibrada sem transformar desavenças ideológicas em ruptura institucional.