O presidente da Argentina, Javier Milei, usou o palco da convenção nacional do PL em São Paulo para atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes depois que o pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro foi negado. Em tom inflamado, Milei qualificou Moraes com expressão ofensiva e contestou a decisão do STF como injusta.
No mesmo discurso, o mandatário argentino relacionou a negativa a um suposto tratamento diferenciado dado a Lula no passado e fez duras críticas ao governo petista, afirmando que a política fiscal atual caminharia para uma crise. Milei também afirmou confiança em Flávio Bolsonaro, a quem colocou como figura central para a resistência política no Brasil.
O episódio mistura diplomacia e confronto retórico: além de reforçar a polarização entre bolsonarismo e lulismo, o ataque público de um chefe de Estado a um ministro do STF tende a dificultar canais institucionais e a gerar desconforto diplomático entre Brasil e Argentina, mesmo sem reações oficiais divulgadas até o momento.
Politicamente, a presença e as declarações de Milei alimentam a estratégia da oposição de demonstrar apoio internacional ao bolsonarismo, ao mesmo tempo em que expõem o governo federal a narrativas críticas sobre governabilidade e responsabilidade fiscal. Para o Palácio do Planalto, episódios desse tipo complicam o relato de normalidade institucional.
A fala de Milei na convenção do PL é mais um sinal da articulação entre líderes de direita na região e tem potencial de repercussão nas frentes eleitoral e institucional do país, sobretudo à medida que se aproximam 2026 e as campanhas se acirram. Brasília, DF.