Quase seis meses depois das condenações definidas pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, o Exército deu início ao cumprimento das penas impostas a integrantes do chamado Núcleo da Desinformação. A ação ocorreu após o ministro-relator Alexandre de Moraes declarar o trânsito em julgado do processo, encerrando a fase recursal e autorizando a execução imediata das sentenças, que variam entre 13 e 17 anos de prisão.

Entre os detidos nesta etapa está o major da reserva Ângelo Denicoli, com a maior pena (17 anos), preso em Vila Velha e que cumprirá sua sentença no 38º Batalhão do Exército; o subtenente Giancarlo Rodrigues, condenado a 14 anos e enviado para um batalhão em Brasília; e o tenente‑coronel Guilherme Almeida, com pena de 13 anos e seis meses, também em unidade do Exército na capital federal. Foi preso ainda o ex‑major Ailton Moraes Barros, cujo local de cumprimento não foi informado. Outros membros do grupo seguem em situação diversa: o coronel Reginaldo Abreu pediu asilo nos Estados Unidos, o agente da PF Marcelo Bormevet já estava preso desde 2024 e Carlos Moretzsohn é considerado foragido no Reino Unido.

As condenações abrangem crimes graves — tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, golpe de Estado, dano qualificado e delitos ligados à campanha de desinformação. Inquéritos da PGR e da Polícia Federal descrevem que o núcleo produzia e difundia documentos falsos sobre urnas eletrônicas, montou rede de espionagem dentro da ABIN e, segundo registros, teve integrantes que defendiam a saída das 'quatro linhas' da Constituição. A exaltação à ação fora dos limites legais, além da prática de ataques virtuais, foi apontada pela ministra Cármen Lúcia como parte da estratégia de “adubar o terreno” para a ruptura institucional.

O cumprimento efetivo das penas tem impacto claro na política e nas instituições: reforça a capacidade do Judiciário de transformar condenações em execução penal, mas também acende alerta sobre a necessidade de controle e disciplina no interior das Forças Armadas. Politicamente, a medida amplia o desgaste para apoiadores da narrativa golpista e impõe custo a quem foi identificado como articulador; institucionalmente, coloca o comando das Forças diante do desafio de restaurar confiança pública e evitar que segmentos da caserna se convertam em atores de desestabilização.