Alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) informou que pretende se apresentar à polícia nas próximas 24 horas e negou qualquer ligação com o Primeiro Comando da Capital. Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Leite disse a veículos de imprensa que está fora da capital e não se considera foragido, e afirmou que vem se organizando com sua defesa para cumprir eventual determinação judicial.

A investigação, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, apura a atuação de uma organização criminosa no setor de transporte coletivo e suspeitas de corrupção envolvendo agentes públicos. Em diligências que envolveram 16 ordens de prisão e 18 de busca e apreensão, equipes atuaram não só na capital, mas também em cidades como Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que integrantes da facção tenham assumido a administração de empresas de ônibus que venceram licitações para operar em municípios paulistas, além de utilizar essas estruturas para lavagem de recursos. A Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024, a partir de material que apontou redes de comunicação internas e tentativas de inserção de agentes em candidaturas municipais.

Do ponto de vista político, a investigação acende alerta sobre a governança no segmento de transporte e amplia desgaste para agentes públicos ligados a negociações com empresas do setor. Leite sustenta que sua atuação foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, mas o desdobramento das diligências tende a exigir esclarecimentos formais e pode ter repercussão reputacional imediata para o ex-vereador e para siglas envolvidas. A Polícia Civil informou que divulgará novos detalhes ao fim das diligências em curso.