O Ministério da Justiça e Segurança Pública publicou nota nesta terça-feira afirmando «absoluta confiança nas instituições republicanas» e defendendo a autonomia da Polícia Federal, após o ministro do STF Edson Fachin suspender decisões que determinavam o afastamento do diretor-geral Andrei Rodrigues. A Advocacia-Geral da União também já havia se manifestado sobre o caso.

Na nota, a pasta enfatiza que as apurações da corporação devem seguir com «absoluta independência, rigor técnico e estrita observância da lei», alcançando todos os fatos e envolvidos «sem exceções». O texto destaca ainda o prestígio e a credibilidade da PF junto à sociedade e afirma que nada deve interferir na continuidade e integridade das investigações.

O pronunciamento ocorre em meio a uma disputa judicial interna: decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o afastamento foram suspensas por Fachin, que interrompeu os efeitos das determinações anteriores relativas à permanência do diretor-geral. Esse choque de decisões teve repercussão imediata na gestão da corporação e nas instâncias jurídicas.

Do ponto de vista institucional, a oscilação entre decisões acende um sinal de alerta sobre a estabilidade administrativa da PF e sobre o custo político de litígios entre cortes e tribunais. O Ministério tenta, pela nota, selar uma retórica de neutralidade e proteger a continuidade das investigações; resta ver, porém, se a sequência de medidas judiciais reduzirá a pressão e devolverá previsibilidade ao comando da corporação.