A ministra Estela Aranha afirmou em sessão do Tribunal Superior Eleitoral que a Corte vive uma sobrecarga de trabalho no segundo turno: ela calcula despachar em média 40 a 50 processos por dia e chegou a assinar voto às 2h59 para manter o ritmo. Segundo os dados citados pela magistrada, o TSE já recebeu 804 ações relacionadas às eleições neste ano, contra 322 no mesmo período de 2022.

Aranha chamou atenção para o aumento de pedidos feitos por terceiros — pessoas que não integram formalmente campanhas — buscando direito de resposta e outras providências. A maioria das ações envolve propaganda negativa, suspeitas de desinformação e irregularidades em peças veiculadas no rádio e na TV. A pressão sobre ministros e equipes, segundo a própria ministra, tem sido intensa e perceptível em reclamações internas pelo ritmo extenuante.

Do ponto de vista institucional, a avalanche de processos traz dois riscos claros: redução da capacidade de exame aprofundado dos casos e atraso em decisões que podem ter impacto imediato no calendário eleitoral. A presença massiva de demandas de terceiros também pode sinalizar um uso estratégico do Judiciário para litigar reputação durante a disputa, o que complica a rotina administrativa do tribunal.

O relato da ministra coloca o TSE diante da necessidade de conciliar celeridade e segurança jurídica. Sem inventar remédios, o episódio expõe uma tensão prática entre volume processual e qualidade das decisões — uma equação que, se não for administrada, tende a gerar custos políticos e operacionais para a própria Justiça Eleitoral no momento mais sensível da disputa.