O ministro da Justiça e Segurança, Wellington Lima e Silva, negou nesta terça-feira que tenha discutido com o advogado‑geral da União, Jorge Messias, a criação de uma pasta exclusiva de Segurança. Em entrevista após a cerimônia de entrega de equipamentos para combate a incêndios florestais, o ministro disse que o encontro teve caráter institucional e tratou de temas ligados à AGU e ao Ministério da Justiça.

Lima e Silva afirmou que a conversa foi entre dois colegas e que não houve negociação sobre a eventual separação das atribuições do ministério. A declaração surge horas depois de ele e o presidente Lula anunciarem o Programa de Combate ao Crime Organizado, episódio que alimentou especulações sobre mudanças na estrutura ministerial.

O próprio ministro reforçou que qualquer desmembramento caberá ao presidente e estará condicionado à aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Senado. Segundo ele, a definição sobre criação de uma pasta de Segurança depende do timing e da decisão do Planalto, não de iniciativas individuais no Ministério da Justiça.

A negativa busca conter rumores que vinham circulando no meio político e na imprensa. Mesmo assim, o episódio expõe dilemas para o governo: a discussão sobre a estrutura da gestão de segurança pública volta a ganhar visibilidade e pode exigir do Palácio do Planalto articulação no Congresso e esclarecimentos à base sobre custos políticos e institucionais de qualquer mudança.