O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, compareceu nesta quarta-feira à Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e evitou prestar esclarecimentos diretos sobre a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos. Convocado a falar sobre a cooperação internacional que envolveu a detenção, o ministro concentrou suas respostas em procedimentos técnicos da pasta e da Polícia Federal, sem entrar no conjunto de dúvidas levantadas por parlamentares de oposição.

Deputados questionaram a fuga de Ramagem para os EUA antes do início do cumprimento da pena — ele foi condenado a 16 anos por tentativa de golpe de Estado —, a prisão efetuada pelo serviço de imigração americano (ICE) em abril e a libertação dias depois. Wellington César afirmou que a detenção ocorreu por questões migratórias relacionadas à permanência irregular no país estrangeiro e não em razão da condenação do Supremo Tribunal Federal, reforçando que informações detalhadas sobre o processo competem às autoridades dos Estados Unidos. Sobre a participação do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, o ministro leu nota da Polícia Federal informando que o agente teria limitado-se a compartilhar informações públicas, entre elas o mandado expedido pelo STF.

A ausência do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em sessão anterior também foi cobrada pelos deputados. Apesar das insistências da oposição, o ministro desconversou em vários pontos e a audiência foi encerrada antes que todas as perguntas fossem respondidas. Após a audiência, Wellington César seguiu para Assunção, onde participa de encontros com ministros da Justiça do Mercosul para tratar de acordos de cooperação internacional.

O tom técnico adotado pelo ministro, nesse contexto, acende alerta sobre a transparência do governo e amplia desgaste político: a lacuna de respostas práticas reforça exigência de mais esclarecimentos e deixa em aberto questões sobre a coordenação entre as autoridades brasileiras e americanas. Para além do episódio, o episódio expõe a necessidade de um posicionamento claro da pasta e da Polícia Federal se quiserem conter a repercussão política e restaurar confiança institucional.