O ministro da Justiça, Wellington César Lima, comparece nesta quarta-feira (27/5) à Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre a atuação da Polícia Federal no episódio da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, detido em 13 de abril em Orlando. A convocação foi aprovada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, a pedido dos deputados Marcel van Hattem (NOVO), Hélio Lopes (PL) e Sóstenes Cavalcante (PL), que exigem detalhes sobre as circunstâncias da operação e seus reflexos diplomáticos.
O requerimento aprovado pede explicações sobre a conduta do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação da PF nos Estados Unidos. Segundo o documento, há “inconsistências públicas” no relato oficial sobre o caso. Ramagem foi inicialmente preso pelo ICE sob a alegação de permanência irregular — o governo brasileiro informou que a detenção ocorreu em “cooperação internacional” — e em seguida liberado após pedir asilo político às autoridades americanas. Uma semana depois, os Estados Unidos anunciaram a expulsão do delegado Marcelo Ivo, acusando-o de tentativa de interferência no processo migratório e de extradição.
O contexto processual é relevante para a convocação: Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira desde setembro de 2025 e foi condenado a 16 anos por envolvimento na trama golpista investigada após atos antidemocráticos. O Ministério da Justiça encaminhou, em dezembro do ano passado, o pedido formal de extradição à Embaixada do Brasil em Washington, que o remet eu ao Departamento de Estado norte-americano. A cronologia dos fatos e a interação entre diplomacia, cooperação policial e procedimentos migratórios serão ponto central do interrogatório parlamentar.
Além do aspecto factual, o episódio acende alerta para o governo. A expulsão do oficial de ligação e as dúvidas sobre a atuação da PF em solo estrangeiro ampliam desgaste e colocam pressão sobre o ministério por respostas sobre cadeia de comando, observância de normas diplomáticas e salvaguarda das relações bilaterais. A convocação na Câmara, mais do que um rito de esclarecimento, traduz um momento de tensão institucional que exige respostas claras para conter repercussões políticas e evitar nova deterioração da cooperação com os EUA.