Os ministros José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) tornaram pública nesta segunda-feira a defesa enfática da Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1. A matéria, aprovada com facilidade na Câmara no mês passado, limita a jornada de trabalho a até 40 horas semanais e chega ao Senado com cobrança explícita do Palácio do Planalto.
A expectativa é que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, decida nesta terça-feira quem será o relator da proposta — etapa que poderá marcar o ritmo dos trabalhos e a viabilidade de aprovação. Guimarães e Boulos usaram suas funções institucionais para reforçar a pressão: o primeiro como articulador com parlamentares, o segundo na interlocução com movimentos sociais que reivindicam a mudança nas regras de escala.
Apesar da recepção favorável na Câmara, a PEC enfrenta cenário político mais complexo no Senado. A relação entre o governo e o presidente do Congresso tem sinais de desgaste desde as acusações de que Alcolumbre teria atuado contra a indicação de Jorge Messias para o STF, episódio que pode repercutir na disposição de alguns senadores em seguir a orientação do Planalto. Se houver resistência, o governo terá de negociar concessões ou correr o risco de ver uma pauta socialmente sensível transformada em derrota política.
O foro da decisão é também um teste para a capacidade da base de traduzir força legislativa em resultados concretos. A aprovação no Senado seria uma vitória de imagem e legitimidade para o governo junto aos aliados sociais; a rejeição, por sua vez, ampliaria custos políticos e aumentaria a percepção de fragilidade na condução da agenda social. A próxima votação e a definição de relatoria servirão, portanto, como termômetro da articulação presidencial em Brasília.