Uma comitiva do Tribunal de Contas da União (TCU), que inclui o presidente Vital do Rêgo Filho e o ministro Augusto Nardes, permanece em Cali, na Colômbia, após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país. A delegação estava na cidade para participar da 35ª Assembleia da Organização Latino‑Americana e do Caribe de Instituições Superiores de Controle (Olacefs), cuja programação foi suspensa em razão dos tremores. Segundo relatos da delegação, os integrantes passam bem e adotaram medidas preventivas depois de alertas sobre réplicas; Nardes informou também que sentiu o abalo com magnitude menor em Cali.

O episódio tem dimensão prática e simbólica. Na esfera prática, a suspensão das atividades interrompe uma agenda que trataria, entre outros pontos, mudanças climáticas — tema central do encontro — e adia trocas técnicas que poderiam reforçar a atuação regional do TCU. No plano simbólico, o fato ocorre quando o Brasil assume a presidência da Olacefs para 2026‑2028 e esperava aproveitar o evento como vitrine institucional. A saída de cena temporária por causa de um desastre natural expõe a fragilidade logística de eventos multilaterais diante de riscos geofísicos.

As declarações do ministro Nardes, que relacionou a experiência à importância da avaliação de risco na administração pública, reforçam um ponto político: um órgão que fiscaliza governança e gestão pública também precisa demonstrar exemplaridade nos próprios protocolos de segurança e contingência. A permanência de ministros em solo estrangeiro enquanto orientações de segurança são seguidas não é por si motivo de reprovação, mas acende alerta sobre a necessidade de transparência a respeito de medidas adotadas, custos e impactos na agenda institucional.

No retorno ao Brasil será oportuno que o TCU explique aos cidadãos e aos órgãos com os quais coopera quais protocolos foram acionados, como foi garantida a segurança da comitiva e que lições práticas serão extraídas para aprimorar procedimentos. Além da repercussão imediata, o episódio complica, ainda que temporariamente, a agenda de liderança regional que o tribunal buscava construir e pode gerar pressão por ajustes em planejamento de missões e gestão de riscos de autoridades em missão internacional.