O partido Missão apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral representação contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL) alegando impulsionamento pago de conteúdo pró-candidato por perfis norte-americanos. Segundo a peça, contas vinculadas a interesses ligados ao presidente Donald Trump teriam promovido, mediante pagamento, publicações no X com claro teor eleitoral que alcançaram milhares de visualizações, inclusive entre usuários no Brasil.
A ação classifica as postagens como propaganda irregular e possível interferência externa nas eleições, citando publicações em sequência, com o mesmo foco e referência à plataforma de apostas Polymarket — um mercado de previsões em criptomoedas que, conforme a representação, é vedado no país. O documento solicita a retirada imediata de ao menos cinco publicações e prevê aplicação de multa diária em caso de descumprimento.
O partido também invoca a resolução do TSE que proíbe promoção de apostas sobre pleitos eleitorais e relembra o relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que alertou para riscos de interferência estrangeira. Se acolhida, a representação pode configurar não apenas irregularidade de propaganda, mas também o uso de capital estrangeiro para beneficiar um único candidato — uma denúncia com impacto direto sobre a imagem e a estratégia de campanha do PL.
Do ponto de vista político e institucional, o caso amplia desgaste sobre atores envolvidos e acende alerta para vulnerabilidades do ecossistema digital durante a campanha. A decisão do TSE terá efeitos práticos — desde a remoção de conteúdo até eventual multa — e pode pressionar plataformas a intensificar moderação, além de testar a aplicação das normas eleitorais perante ações transnacionais de impulsionamento.