O Ministério da Justiça e Segurança Pública apresentou os resultados da Operação Rede Interrompida, deflagrada na terça-feira (4) pela Polícia Civil do Distrito Federal a partir de inteligência produzida pelo Ciberlab da Senasp. As investigações, iniciadas na primeira quinzena de junho, rastrearam conversas em grupos abertos no Telegram que discutiam o planejamento de atos violentos em Brasília no período eleitoral, incluindo invasões à Esplanada dos Ministérios e ao Supremo Tribunal Federal, além da possibilidade de atentado a bomba durante debates.
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em cinco estados — Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul — com apoio das polícias locais. Entre os materiais apreendidos estão manuais para fabricar explosivos, mapas da região central de Brasília e a planta baixa do Palácio do Planalto, itens apontados pelos investigados como alvos primários.
A investigação aponta que os oito suspeitos, entre 19 e 31 anos, em sua maioria entre 19 e 25, atuavam apenas pela internet, sem antecedentes criminais e sem vínculo presencial entre si. Além do planejamento de atos, os grupos eram usados para recrutamento e disseminação de conteúdo neonazista, antissemito e misógino, segundo a PCDF.
Autoridades sustentaram que não se tratou de meras opiniões nas redes, mas de planejamento de violência, e destacaram a necessidade de atuação rápida e integrada. O MJSP ressaltou o papel articulador da União com os estados. A opção inicial por cumprir apenas mandados de busca, sem pedidos de prisão, foi justificada como estratégia investigativa para preservar apurações e coleta de provas.
O episódio ressalta o desafio da radicalização online e o risco específico no calendário eleitoral: a descoberta precoce evitou um possível sinistro, mas coloca em evidência a necessidade de manutenção de vigilância, coordenação interinstitucional e transparência sobre os desdobramentos. Cabe ao Ministério e às polícias detalhar próximos passos e garantias de prevenção contínua.