Brasília, DF – Durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (3/11), o presidente do Fluminense, Matheus Reis e Montenegro, reconheceu impactos sociais das apostas on-line, como o endividamento de famílias, mas defendeu que esses efeitos não podem ser considerados maiores do que o risco de desemprego gerado pelo fim das 'bets'.

Montenegro afirmou que ouviu relatos sobre o drama das famílias endividadas e não negou a gravidade do problema. "Eu ouvi muito falar sobre o drama do endividamento das famílias, e isso é verdade. O Fluminense não nega isso. Só que também existe um drama do desemprego. O drama de uma família endividada não pode ser colocado como maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol, especialmente das agremiações menores", disse.

Eu ouvi muito falar sobre o drama do endividamento das famílias, e isso é verdade. O Fluminense não nega isso. Só que também existe um drama do desemprego. O drama de uma família endividada não pode ser colocado como maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol, especialmente das agremiações menores

O dirigente explicou que os clubes têm cinco tipos de receita e que a medida provisória atinge diretamente duas delas: patrocínios (incluindo as placas) e direitos de transmissão. Em 2025, os clubes da Série A registraram R$ 3 bilhões em receita comercial, dos quais, segundo Montenegro, R$ 1 bilhão veio das apostas. No caso do Fluminense, ele estimou um impacto de cerca de R$ 200 milhões sobre uma receita recorrente entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões.

Sobre a possibilidade de realocar patrocínios, Montenegro disse que a oferta se desvalorizaria se 14 clubes da Série A passarem a buscar os mesmos contratos ao mesmo tempo. "Mexer com essa medida provisória vai no coração de todos os clubes porque acaba com a principal fonte de sobrevivência", alertou.