O ministro Alexandre de Moraes enviou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, uma defesa de 44 páginas na qual sustenta ser vítima de "vingança" e de uma "farsa". A peça, organizada em 121 tópicos, foi protocolada para subsidiar a sessão marcada para terça-feira (15/9) que decidirá sobre a abertura de investigação contra o magistrado.

Moraes reage às suspeitas de envolvimento com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e afirma que os documentos divulgados pelo ministro André Mendonça não comprovam qualquer crime praticado por ele. No texto, o ministro questiona também a forma como a investigação foi desencadeada e alega que a instauração de apuração de ofício, sem provocação do Procurador-Geral da República, afronta o rito previsto, que exige remessa ao Plenário para decisão por maioria absoluta.

Ao vincular as acusações a uma retaliação de aliados daqueles que, segundo ele, tentaram atacar a democracia e sofreram condenações no STF, Moraes transforma o caso em episódio de elevada carga política. A afirmação amplia o tom de confronto entre integrantes da Corte e pode intensificar a disputa sobre limites institucionais e procedimentos internos.

A sessão do Plenário terá, portanto, efeito duplo: é decisiva na avaliação técnica sobre a admissibilidade de investigação e, ao mesmo tempo, servirá como termômetro político sobre a força das alianças entre ministros e a exposição de autoridades que divulgaram materiais sensíveis. Qualquer desfecho terá repercussão imediata no debate público sobre a independência judicial e a politização das instituições.