A divergência entre o número de armas registradas em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro e o arsenal efetivamente apresentado às autoridades motivou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou busca e apreensão na residência do ex-presidente. A medida tem por objetivo localizar armas, munições e acessórios cuja entrega não foi comprovada nos autos do processo.
Na decisão, Moraes cita especificamente a versão da defesa de que uma espingarda calibre 12 da marca Maestro Arms Company permanece sob a guarda de uma importadora em Caxias do Sul (RS) e jamais teria sido retirada pelo proprietário. Para o ministro, contudo, essa alegação não veio acompanhada de "documentação idônea" capaz de atestar a localização efetiva do armamento nem a regularidade de sua custódia por terceiros.
Diante da ausência de comprovação, o relator considerou imprescindível a adoção de busca domiciliar para assegurar o cumprimento de ordens judiciais e a efetiva verificação da posse dos itens. A decisão também reafirma que a inviolabilidade do domicílio, garantia constitucional da intimidade, não é absoluta e não pode servir de escudo para impedir a persecução penal quando há indícios de descumprimento de ordens judiciais.
A operação deverá apurar se o ex-presidente mantém, direta ou indiretamente, a guarda de armas mencionadas no processo, incluindo pistolas e fuzis de marcas como Glock e Caracal, e caberá à Polícia Federal certificar a guarda de todos os itens vinculados à execução. Politicamente, a decisão amplia a pressão sobre a defesa ao exigir prova documental robusta e traduz, na prática, um endurecimento do Judiciário quanto à fiscalização do cumprimento de medidas determinadas em processos sensíveis.