O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes autorizou nesta sexta-feira (19/6) que a Polícia Civil do Distrito Federal ouça, presencialmente, o ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a apreensão de uma pistola Glock calibre 9mm. O depoimento foi designado para 23 de junho, às 15h, na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar; Moraes vetou a realização por videoconferência, citando limitações legais para comunicações eletrônicas no contexto da medida judicial.
O inquérito foi aberto após a Polícia Civil do DF registrar a apreensão da arma, com carregador, na noite de 15 de junho, por volta das 23h30, e a comunicação oficial feita às 0h14 do dia seguinte. A propriedade do armamento foi associada a Bolsonaro com base em consulta ao sistema SIGMA do Exército Brasileiro. A investigação busca apurar circunstâncias da apreensão e eventual responsabilidade criminal.
No despacho, Moraes também exigiu que a defesa forneça esclarecimentos sobre a rotina de segurança do ex-presidente — incluindo a confirmação sobre a dispensa de agentes de proteção durante o período noturno — e sobre o acompanhamento de saúde dentro da residência. A defesa havia indicado Carlos Eduardo Antunes Torres como acompanhante de confiança, mas sem comprovação de qualificação técnica na área da saúde; o ministro reiterou a necessidade de prova de capacitação para permanência com atribuições médicas ou de enfermagem.
Além do efeito processual imediato, a decisão tem reflexo político: a oitiva presencial reforça o controle do Judiciário sobre a execução da prisão domiciliar e complica a narrativa da defesa ao expor pontos sensíveis sobre segurança e assistência médica. O episódio amplia desgaste político em torno do ex-presidente e coloca aliados diante da necessidade de resposta pública, sem, porém, antecipar resultados do inquérito — trata‑se de um retrato da tensão entre prerrogativas do investigado e as exigências de comprovação técnica e legal.