O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado pela investigação como fonte do jornalista Luís Pablo Almeida. As medidas, solicitadas pela Polícia Federal e com aval da Procuradoria-Geral da República, ocorreram em procedimento que tramita sob sigilo e resultaram na apreensão de computadores, telefones e outros aparelhos eletrônicos.
A apuração mira suposta perseguição contra o ministro Flávio Dino, com exposição indevida ligada à segurança e eventual uso de mecanismo estatal para monitoramento. Em novembro, Almeida publicou reportagens que acusavam Dino e familiares de utilização irregular de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão; o gabinete do ministro negou as acusações e classificou as informações como “inverdades”, ressaltando que parte da proteção foi fornecida a pedido da Secretaria de Segurança do STF.
A busca e apreensão em razão de informação jornalística abre um precedente muito perigoso. É uma séria ameaça à liberdade de imprensa.
A investigação também verificou movimentações financeiras envolvendo o advogado que teria assessorando o jornalista; a PF apura se pagamentos têm relação com publicações de interesse do grupo ligado a Cutrim. A defesa do ex-secretário e o próprio jornalista criticaram a operação: “Investigam um jornalista que faz denúncia, investigam o advogado que o orienta, a fonte... E não investigam a denúncia? É estranho”, afirmou o defensor, enquanto Almeida nega relação do valor citado com seu trabalho.
A Associação Nacional de Jornais manifestou preocupação formal com o caso, alertando que buscas sobre informação jornalística podem abrir precedente perigoso para a liberdade de imprensa. Politicamente, a ação expõe tensão entre salvaguarda de segurança de um ministro e proteção do trabalho jornalístico, além de colocar em evidência o desafio institucional de conciliar sigilo investigativo com transparência em casos que envolvem autoridades públicas.