O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta sexta-feira (21/8) que Carlos Bolsonaro e Jair Renan visitem o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. A permissão retoma o regime de visitas permanentes para os dois filhos, com horários, condições e medidas de segurança previamente fixados pelo juízo.
Ao mesmo tempo, Moraes confirmou a proibição de ingresso na residência por Flávio Bolsonaro — que é candidato à Presidência — até o término do período eleitoral. O veto foi motivado pelo risco de uso político da situação, após divulgação de uma "carta aos brasileiros" por outro dos filhos ao deixar a casa do pai. Visitas gerais haviam sido suspensas por 30 dias, e as com finalidade político-eleitoral são vedadas até o fim das eleições.
O despacho ressalta que as autorizações são condicionadas ao estrito cumprimento das normas e das medidas judiciais; eventual descumprimento pode levar à revogação do benefício da prisão domiciliar e à adoção de medidas mais gravosas, inclusive retorno ao regime fechado. Moraes determinou ainda comunicação à Secretaria de Segurança Pública do DF, ao Núcleo de Custódia da Polícia Militar (NCPM), à Procuradoria-Geral da República e aos advogados constituídos.
Politicamente, a decisão busca impedir que a condição do encarcerado seja instrumentalizada em campanha, ao mesmo tempo em que preserva elementos do regime humanitário concedido pela Justiça. Para a campanha de Flávio, a vedação cria um limite concreto de acesso e repercussão; para o Planalto e aliados, o episódio reforça o escrutínio do Judiciário sobre práticas com potencial eleitoral.